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Projecto Zéthoven levou alegria das crianças ao Palácio de Belém PDF Imprimir e-mail
03-Jun-2010

FOI com uma alegria contagiante e com as vozes bem afinadas, que 160 crianças do interior do país interpretaram, na terça-feira, nos jardins do Palácio de Belém, 15 músicas infantis do reportório tradicional português. “A Moda da Rita”, “As Pombinhas da Catr’ina”, “Tia Anica” ou “Rosa Arredonda a Saia” foram alguns dos temas apresentados a uma plateia constituída por crianças residentes na região da Grande Lisboa.

A iniciativa, promovida pelo Museu da Presidência com o objectivo de assinalar o Dia Mundial da Criança, foi dinamizada pela Associação Cultural da Beira Interior, que aproveitou a oportunidade para apresentar o projecto Zéthoven, bem como o trabalho desenvolvido pelos grupos de Percussão, Coro Misto e Orquestra Clássica da Beira Interior, que actuaram num segundo concerto ao qual assistiram personalidades de todo país e o próprio Presidente da República. No final, Cavaco Silva fez questão de deixar o seu elogio público e pediu um aplauso redobrado para todas as crianças, jovens e adultos que mostraram a música no Palácio de Belém.

“Foi um momento de extrema importância porque nos permitiu mostrar o nosso trabalho e, além disso, sentir o apreço do público que neste caso contava com uma personalidade de relevo. É inegável que estes momentos constituem um estímulo muito importante, não só para quem está a dinamizar o projecto (e são muitas pessoas) como também para as crianças e jovens que participam ”, referiu ao JF o maestro Luís Cipriano.

Uma distinção que estava já implícita no convite realizado pelo Museu da Presidência da República. “Naturalmente que este convite nos deixa satisfeitos. É o reconhecimento do nosso trabalho, que é realizado há mais de dez anos e já abrange mais de três mil crianças. Sempre dissemos que este era um projecto da música descentralizada e que essa descentralização havia de chegar a Lisboa. Hoje isso aconteceu. Tivemos aqui miúdos do interior do país que ajudaram as crianças da capital a perceberem melhor o mundo da música”, acrescentou o maestro, que assume o orgulho pelo excelente concerto realizado pelas crianças do projecto Zéthoven. “Algumas das quais, tiveram de realizas mais de 400 quilómetros para aqui estarem e participarem num dia de festa, em que a música e a cultura tiveram um papel de destaque”, ressalva. Uma festa que, refira-se, começou bem cedo, em todas as sedes de concelho onde este projecto está implantado, nomeadamente, Pinhel, Mação, Nisa, Vila Velha de Ródão, Figueira de Castelo Rodrigo e Covilhã – de onde partiram os elementos da Associação Cultural. Com apenas sete anos, Mariana Guerreiro foi uma das que não quis faltar ao evento e antes mesmo da hora marcada já estava presente na central de camionagem da Covilhã. Esta menina, que encanta pelo olhar e pelo seu ar de pessoa crescida em tamanho reduzido assume previamente que “quer fazer um bom concerto”. Aliás, para que tudo corresse bem, passou os últimos dias a treinar os temas. “Depois do ensaio, lá em casa também voltei a praticar para aí umas cinco vezes”, declara com uma confiança desconcertante a que acrescenta ainda os seus objectivos para o futuro: “Quero ser cantora e tocar um instrumento. Até já estou aprender xilofone”, especifica. Um objectivo que é partilhado pela grande maioria das crianças que ali estiveram presentes, nomeadamente o grupo da Margarida Ribeiro, da Inês Lopes e da Tânia Matias, que vieram de Nisa. “Este é o nosso segundo espectáculo, mas se continuarmos assim talvez possamos ir longe”, sublinham. A meta que já foi alcançada por Bárbara Santos e Marlene Matias, que são de Pinhel e já integram o projecto há quatro anos. “Já participamos na gravação de dois CD’s do Zéthoven e também fomos convidadas para o concerto na Casa da Música”, contam orgulhosas. Um entusiasmo que é partilhado por Luís Silva, que apesar de só ter entrado no projecto este ano, já tem motivos para fazer um balanço positivo. “Nunca tinha vindo a Lisboa. Esta é a primeira vez e estou a gostar muito”, refere. Igualmente satisfeito com a presença na “casa do Presidente da República” estava João Pedro Martins, que tomou contacto com o Zéthoven há cerca de ano e meio. “Se ao fim de tão pouco tempo vim aqui, para a próxima vou ao estrangeiro e gravo um CD”, atira. Sonhos que estarão mesmo ao alcance do jovem de Mação pois, conforme sublinhou o maestro Luís Cipriano, mais de metade dos elementos do Misto da Beira Interior começou o seu percurso no projecto Zéthoven. Na terça-feira, e depois de muitas provas dadas e outras tantas medalhas ganhas, os grupos da Associação realizaram mais um concerto que se revestia de grande importância para todos os elementos. O peso da responsabilidade sentia-se no ar. Enquanto uns treinavam e reviam as partituras nos momentos antes do concerto, outros foram que, apesar dos elogios e dos aplausos, no final acabaram por derramar lágrimas. Nos seus ouvidos, alguma nota terá saído fora do tom. É mais uma mostra do profissionalismo que existe em cada um dos projectos levados a cabo pela Associação Cultural da Beira Interior, que merecidamente conquistou o aplauso do Presidente da República e arrancou ovação de toda a plateia.

in http://www.jornaldofundao.pt

 
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